segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Mário Xavier, repórter

Foto: Felipe Maciel Martínez

O jornalista Mário Xavier adentrou a Casa José Boiteux, na Avenida Hercílio Luz, com uma mala repleta de livros, revistas e impressos diversos, cuidadosamente dispostos sobre duas mesas do auditório. Uma vida inteira ali, narrada na 12ª entrevista do Projeto Repórteres SC. 

Na entrevista, Mário fala da infância e da juventude vividas em Porto Alegre, onde despertou cedo para o gosto pela leitura e pela música. Aos 15 anos, com a morte prematura do pai, que era médico, professor universitário e gestor público de saúde, Mário precisou procurar emprego e começou a trabalhar como caixa na então maior garagem de estacionamento da capital gaúcha, tornando-se gerente dos caixas e lá permanecendo até 1974.

Uma passagem marcante de sua trajetória foi viver um ano nos Estados Unidos como bolsista do AFS Programas Interculturais, estudando na Parsippany High School, de New Jersey, região metropolitana da cidade de Nova York. Ali, lembra-se da forte impressão que lhe causou uma polpuda edição do New York Times sobre o Brasil. De volta a Porto Alegre, passou no vestibular da UFRGS para o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, formando-se em 1982.  Ainda cursando a faculdade, Mário cravou seu trabalho de estreia no jornalismo, pesquisando e redigindo o Guia de Informação e Turismo de Caxias do Sul, tendo até hoje a minuciosa pauta datilografada e um exemplar do guia. 

A chegada a Florianópolis foi em 1985, quando integrou a equipe pioneira de implantação do jornal Diário Catarinense, onde atuou na Editoria de Economia. Ao longo da carreira, Mário foi repórter, assessor de imprensa, articulista, professor, escritor, editor e organizador de livros. É fundador e diretor da Redactor Comunicação desde 1988 e produziu quase uma centena de estudos de casos, mostrando o quão diversa pode ser a atuação profissional na área de jornalismo.

Dentre suas obras, destacam-se a criação do livro “Polo Tecnológico de Florianópolis: origem e desenvolvimento”; a organização da obra “Univali – A trajetória do ensino superior em Itajaí e em Santa Catarina – 1964-2004”, sobre os 40 anos da universidade; e a consultoria, pesquisa e textos para a obra “O Desafio Ambiental”, da empresa Hering Têxtil, de Blumenau (SC), para distribuição no Brasil e no exterior.

No currículo exibe também a experiência como ombudsman, exercida no jornal A Notícia Capital (ANC) por dois anos, entre 1995 e 1997, sendo pioneiro nesta função no Sul do Brasil.

Na conversa, o entrevistado aborda o tema da aposentadoria, ao qual jornalistas devem ficar atentos, por acompanhar de perto o debate sobre a chamada Revisão da Vida Toda (RVT), luta de aposentados e de aposentadas depois de 1999 e antes de 2019, como foi o caso de Mário, que se aposentou em 2016. 

Ao final da entrevista, Mário faz uma bela homenagem a um grande jornalista cujo legado já tem lugar de destaque na história deste século. 

A gravação foi feita por Felipe Maciel Martínez com Elaine Tavares e Míriam Santini de Abreu na entrevista.

A nossa equipe agradece a Casa José Boiteux pela cessão do belo auditório e o apoio da Fundação Catarinense de Cultura, da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Projeto Repórteres SC completa 12 entrevistas com o jornalista Mário Xavier









O jornalista Mário Xavier foi o 12º entrevistado do Projeto Repórteres SC. Nascido em Porto Alegre e graduado em Comunicação Social pela UFRGS em 1982, ele tem uma trajetória em redações e para além delas, revelando o quão diversa pode ser a caminhada profissional. Veio para Santa Catarina no Projeto do Diário Catarinense, atuando na editoria de economia,  e nunca mais foi embora.

Fundador e diretor da Redactor Comunicação desde 1988, Mário é autor, editor e organizador de livros, atuou como professor e produziu quase uma centena de estudos de casos. No currículo exibe também a experiência como ombudsman, exercida no jornal A Notícia Capital (ANC) por dois anos, entre 1995 e 1997, sendo pioneiro nesta função no Sul do Brasil.

A entrevista será exibida em breve, com detalhes da conversa com Mário, gravada por Felipe Maciel Martínez. 

A nossa equipe agradece a Casa José Boiteux pela cessão do belo auditório e o apoio da Fundação Catarinense de Cultura, da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Claudio Silva da Silva, repórter


O repórter fotográfico Claudio Silva da Silva, o Sarará, é o 11º entrevistado do projeto Repórteres SC, em conversa gravada na Praça Getúlio Vargas.

Claudio iniciou a carreira em Porto Alegre, onde nasceu, e tem na lembrança o avô, Antonio Leonardo da Silva, lendo o Correio do Povo, da Caldas Júnior. Jovenzinho, fez o caminho que era bastante comum nos jornais: office boy, laboratorista e por fim fotógrafo. Em Santa Catarina, trabalhou no Diário Catarinense, no jornal O Estado, em A Notícia e no Notícias do Dia. Nos quatro, destacou-se na cobertura política e esportiva, e na entrevista reflete sobre as particularidades de cada uma para conseguir boas fotos. Também gostava de cobrir Geral, e suas histórias mostram que lhe serve muito bem a máxima de estar no lugar certo na hora certa.

Claudio também conta como capturou para o DC a conhecida imagem do Papai Noel na água, feita em 24 de dezembro de 1995, durante uma enchente que atingiu a Capital. O Papai Noel era Abner Joseph Hora Harris, um dos mais conhecidos de Florianópolis. Outra foto, de violência policial nas manifestações pelo Passe Livre, no início dos anos 2000, resultou em sua demissão do ND.

Ao longo da carreira, Claudio sempre discutiu o tema dos direitos autorais do trabalho fotográfico e, na conversa, reflete sobre isso e também sobre as mudanças no trabalho provocadas pela era digital. Ele menciona ainda a preocupação com a memória em uma realidade na qual as empresas não cuidam dos arquivos como deveriam.

Ao Repórteres SC, Claudio cita os colegas que foram e são referência em seu trabalho e que mantém até hoje, já aposentado, reflete sobre a dobradinha repórter/fotógrafo, aborda o papel da luta sindical e também fala sobre o racismo vivido ao longo da carreira.

Claudio tem três filhos, nove netos e dois bisnetos e mantém viva a inquietude que é uma de suas marcas!

Na gravação, Felipe Maciel Martínez, com fotos de Rosane Lima.


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Projeto Repórteres entrevista Claudio Silva da Silva








Chegam a 11 os entrevistados do projeto Repórteres SC com a conversa que tivemos com o repórter fotográfico Claudio Silva da Silva, o querido Sarará, realizada na Praça Getúlio Vargas.

Claudio iniciou a carreira em Porto Alegre, onde nasceu, fazendo o caminho que era bastante comum nos jornais: office boy, laboratorista e por fim fotógrafo. Em Santa Catarina trabalhou no Diário Catarinense, no jornal O Estado, em A Notícia e no Notícias do Dia.

Na entrevista, ele fala sobre seus trabalhos mais marcantes e o diferencial na cobertura política e esportiva, duas entre as quais se destacou, cita os colegas que foram e são referência em seu trabalho e relembra fotos importantes da carreira, entre outros temas.

Na gravação, Felipe Maciel Martínez, com fotos de Rosane Lima. Entrevista em breve!

 

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Projeto mapeia experiências de Jornalismo Ambiental em Santa Catarina

 



Por Míriam Santini de Abreu 

Em seis de janeiro do ano passado, postei um recado no meu perfil do Facebook: "Estou em busca de subsídios para um artigo sobre a história do jornalismo ambiental em Santa Catarina. Jornalistas, veículos e experiências. Quem se lembrar de nomes nas três vertentes posta aqui!". Não tive respostas. De lá para cá, venho pesquisando o assunto e apareceu a vontade de ampliar a possibilidade de respostas. Daí surgiu o projeto "Jornalismo Ambiental em Santa Catarina: teorias e práticas", da equipe da Revista Pobres e Nojentas, que desenvolve também o "Projeto Repórteres SC".

Nas pesquisas prévias, não encontramos editorias específicas sobre o tema, exceto a experiência do ANVerde, de A Notícia, mas muitos e muitas colegas, em suas trajetórias profissionais, escreveram e escrevem sobre temas e abordagens que caracterizam o chamado jornalismo ambiental. Já convidamos 11 colegas para participar do e-book (talvez a ser impresso!) contando sua experiência e estamos em busca de mais contatos.

O tema me interessa desde os anos 1990. Fiz especialização em Educação e Meio Ambiente na UDESC e o mestrado foi na Geografia da UFSC para pesquisar o discurso jornalístico do desenvolvimento sustentável, publicado em livro pela editora da universidade em 2006. Não doutorado, pesquisei o espaço no jornalismo e, no pós-doutorado em Antropologia Social da UFSC, analisei 10 anos de cobertura do jornal Notícias do Dia sobre os conflitos de uso da rua no Centro de Florianópolis para a produção de dois artigos em andamento. Em 2007, como professora substituta no Curso de Jornalismo da UFSC, propus e ofertei a disciplina optativa "A relação sociedade-natureza no texto jornalístico".

Atualmente integro o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ), o mais antigo do país, e o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (FABICO/UFRGS), coordenado pela professora Ilza Maria Tourinho Girardi, em que faço parte da equipe que produz análises semanais da cobertura ambiental via Observatório de Jornalismo Ambiental. Pelo NEJ, dentro do "Projeto Ambientalistas do Sul – Memória e História", com as jornalistas Eloisa Loose e Vera Damian, entrevistamos ambientalistas que participaram da consolidação da temática na região Sul do Brasil. Fiz oito entrevistas com ambientalistas catarinenses e uma live sobre o papel do Movimento Ecológico Livre (MEL) na história de lutas em defesa do ambiente em Florianópolis, com cinco participações. Em 2020, organizei o livro "A rebelião do vivido no jornalismo independente de Florianópolis" (Pobres & Nojentas; Letra Editorial), que traz histórias estreitamente relacionadas com as lutas ambientais. Ainda em julho vamos lançar uma publicação sobre a atualidade da obra do jornalista Marcos Faerman, nosso mestre, que deixou um legado magistral de grandes reportagens sobre o tema.

Um jornalista Elaine Tavares também há décadas cobre as lutas ambientais em Santa Catarina. O seu blog Palavras Insurgentes teve a primeira postagem em 4 de outubro de 2007. Ele foi uma atualização do blog Jornalismo Amoroso e de Libertação, criado em 2004, dentro do sítio Comunique-se. Quando o Comunique-se extinguiu os blogues, ela então migrou para o Blogspot, onde cunhou o Palavras Insurgentes, tendo como foco principal, a luta dos trabalhadores e a discussão sobre a cidade. E, nesse tema, pautas como a devastação das florestas, o mau uso da água e os conflitos em torno do plano diretor foram sistematicamente narrados através de notícias e reportagens em texto e vídeo. Esses assuntos também apareceram na revista impressa Pobres & Nojentas, que circulou entre 2006 e 2013 com 30 edições e hoje continua em blog.

É hora de começar a organizar essas e outras histórias para que estudantes de jornalismo e profissionais em início de carreira as conheçam e deem continuidade e aprofundem o estudo e a prática do jornalismo ambiental em Santa Catarina, onde assunto não falta, ainda mais com a crise climática. Seguimos!

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Mário Medaglia, repórter





Fotos: Miriam Santini de Abreu

Foi na casa onde está a Fundação Cultural Badesc, construída nos anos de 1920, que o jornalista Mário Medaglia concedeu a décima entrevistado ao projeto Repórteres SC. Antes de iniciar a conversa, ele gentilmente entregou à equipe um exemplar de seu livro de memórias, intitulado "O menino que corria atrás da notícia", pela Editora Insular, lançado em 2021, com capa ilustrada por Edgar Vasques.

Fazia tempo que os amigos instigavam Mário a contar sua história com o jornalismo. Ele achava que não levava jeito, mas um dia começou a escrever e o livro nasceu. O título e a ilustração de capa fazem alusão a um fato da meninice de Mário, quando ele e a garotada procuravam em meio à vegetação a carga que era lançada por um pequeno avião no balneário Rondinha Velha, no litoral gaúcho. A carga era o vespertino Folha da Tarde, jornal tabloide da Cia. Caldas Júnior que era vendido aos veranistas.

Conhecido pela cobertura esportiva, foi nela que Mário iniciou no jornalismo, como repórter da Editoria de Esportes do jornal Zero Hora. Em 1971, quando terminava a graduação em jornalismo na Faculdade dos Meios de Comunicação Social da PUC-RS,  fez parte da equipe que fundou o Jornal de Santa Catarina, em Blumenau. Em 1972, veio para Florianópolis e na capital catarinense atuou como repórter, editor, correspondente, comentarista e colunista. Também foi assessor da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) e membro do Conselho Estadual do Esporte. Na entrevista, ele também fala de sua passagem por Brasília, onde trabalhou na assessoria do Banco Nacional de Crédito Cooperativo e como chefe de redação na RBS TV.

Das coberturas que marcaram sua trajetória, Mário cita o acidente aéreo ocorrido em abril de 1980 envolvendo um avião da Transbrasil, as grandes enchentes em Santa Catarina e saborosos episódios dos Jogos Abertos de SC, que cobria em diferentes cidades, sendo o jornalista esportivo Juca Kfouri uma de suas referências profissionais. Ele também fala sobre as experiências, em diferentes órgãos, como assessor de imprensa.

O cuidado com a memória do jornalismo catarinense é parte do currículo de Mário e aparece na entrevista. Ele é co-autor do livro “O ESTADO – 100 Capas”, e cronista do livro “Loucos e Memoráveis Anos – O Centenário do Jornal O ESTADO”, ambos de 2015, no qual há textos de destacados jornalistas do estado. 

Na conversa com a equipe do projeto, Mário aborda ainda o etarismo – a discriminação por idade – na profissão e nas redações, fato que contrasta com o período no qual a experiência obtida por anos de fazer jornalístico era valorizada entre os colegas e, em especial, por quem iniciava na profissão. A entrevista é mais uma aula de jornalismo por um jornalista que segue ativo nas redes sociais. 

Na gravação, feita na Fundação Cultural Badesc, que gentilmente cedeu o espaço, as imagens são de Felipe Maciel-Martínez e as fotos de Míriam Santini de Abreu. 


quarta-feira, 12 de julho de 2023

Projeto Repórteres entrevistou jornalista Mário Medaglia









O décimo entrevistado do projeto Repórteres SC é o jornalista Mário Medaglia, gaúcho que construiu sua trajetória entre Porto Alegre, Blumenau, Brasília e Florianópolis e, em 2021, lançou um livro de memórias intitulado "O menino que corria atrás da notícia", pela Editora Insular. A ilustração da capa, de Edgar Vasques, alude a um fato saboroso que Mário conta no início da conversa.

Ele aborda as experiências em diversos veículos de comunicação, com destaque para o início das atividades do blumenauense Jornal de Santa Catarina, do qual foi um dos fundadores, no ano de 1971.

O jornalista também atuou como assessor de imprensa em diferentes órgãos e se destaca na cobertura esportiva como repórter, comentarista e colunista.

O cuidado com a memória do jornalismo catarinense é parte do currículo de Mário, co-autor do livro “O ESTADO – 100 Capas”, e cronista do livro “Loucos e Memoráveis Anos – O Centenário do Jornal O ESTADO”, no qual há textos de destacados jornalistas do estado, ambos de 2015.

Na gravação, feita na Fundação Cultural Badesc, que gentilmente cedeu o espaço no especial cuidado de Denilson e Augusto, as imagens são de Felipe Maciel Martínez, fotos de Míriam Santini de Abreu. Entrevista em breve!

Andrea Leonora, repórter

A jornalista Andréa Leonora é a 34ª entrevistada do projeto Repórteres/SC. Nascida no Rio de Janeiro, desde pequena ela já gostava de ler jo...